
O crítico de cinema David Gilmour estava em crise. Sem trabalho fixo, com dificuldades financeiras e o filho Jesse enfrentando problemas na escola. Com tempo de sobra, Gilmour propõe então algo inusitado – o garoto poderia parar de estudar, desde que assistisse semanalmente a três filmes selecionados previamente pelo pai. Juntos eles formam o clube do filme que mudaria suas vidas para sempre.
Os filmes suscitam longas conversas sobre futuro, amizade, mulheres, trabalho, além é claro, sobre a sétima arte. Durante as sessões, Gilmour e Jesse acabam estabelecendo uma grande relação de cumplicidade. O crítico sofre com os conflitos do jovem e tenta ajudá-lo contando sobre suas próprias frustrações. O clube do filme funciona não como dever de casa, mas como um momento único entre pai e filho.
Para os cinéfilos, O Clube do Filme é um excelente roteiro para locação. Pai e filho comentam desde clássicos como O Poderoso Chefão (1972) e A Felicidade não se compra (1946) até filmes considerados grandes fracassos como Showgirls (1995). A seleção dos longas variava entre tesouros enterrados e títulos em que o ator roubava a cena.
Numa passagem do livro, Gilmour comenta como a tarefa de indicar filmes é um negócio complexo (o que eu concordo plenamente). “De certa forma, é algo tão revelador quanto escrever uma carta para alguém. Mostra como você pensa, aquilo que o motiva, e algumas vezes pode mostrar como você acha que o mundo o enxerga”.