segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Ligeiramente inspirado

Quem for ao cinema assistir Salve Geral esperando reviver o dia em que São Paulo parou vai se decepcionar muito. O novo longa de Sérgio Rezende (Zuzu Angel e Mauá) é ligeiramente inspirado em fatos reais e apenas isto. Na verdade, o filme conta a história de Lúcia (Andréa Beltrão), uma professora de piano que acaba se envolvendo numa trama perigosa para proteger seu filho.


Tudo começa quando o filho de Lúcia é preso depois de se envolver num assassinato. No presídio, o jovem entra em contato com a facção que faz alusão ao PCC (Primeiro Comando da Capital). Na tentativa de amenizar o sofrimento do jovem atrás das grades, a mãe se aproxima de Ruiva (Denise Weinberg), uma inescrupulosa advogada que é a responsável pelas operações do grupo criminoso.


Salve Geral tenta explicar os fatos que culminaram na barbárie ocorrida no fim de semana do Dia das Mães em 2006, mostrando a transferência dos líderes da facção e o assassinato do corregedor da polícia. O filme defende a polêmica tese que o governo paulista negociou com a organização criminosa para suspender os ataques ao estado. Essa idéia é negada até hoje pelos governantes da época. A história não se aprofunda nesta questão.


Mas o grande problema de Salve Geral não é a falta de verossimilhança, e sim, a mudança radical da protagonista. De uma mãe dedicada e de valores morais sólidos, ela se transforma numa importante agente da organização, iniciando até um inusitado relacionamento amoroso com um dos chefes. O longa também abusa da imaginação para retratar a central de operações da facção, controlada por um garoto que vive jogando videogame. Haja criatividade.


Como representante do Brasil na disputa de uma vaga ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, esperava-se mais de Salve Geral. A temática da violência, tão recorrente no cinema nacional, parece não animar a academia, veja os exemplos de Carandiru e Última Parada 174 . O mais frustrante é que o filme não consegue nem de longe transmitir a sensação de pânico coletivo daquele dia aterrorizante que ainda está vivo na mente dos paulistas.

6 comentários:

Ygor disse...

realmente o filme é consideravelmente fantasioso... é dificil acreditar q o PCC detinha aquele suporte tecnológico todo... de um modo geral, eu achei um bom filme em questão de entretenimento, mas acho dificil de levar o oscar...

airssea disse...

Sem dúvidas, chegamos no limite da barbárie contra os direitos humanos. Talvez seja por isso, que filmes como este não choquem mais, visto que a violência tornou-se algo comum.

Cristiano disse...

Até concordo com o lado fantasioso, porém fiquei surpreendido com a qualidade do filme. Principalmente do roteiro que não deixa você relaxar nem um pouco. Achei muito bacana o lado que o diretor quis mostrar, onde ninguém é bonzinho. Querendo ou não sabemos que quase tudo que o filme retrata acontece, desde do "playboy" idiota que bate o carro, até o governo negociar com os criminosos. Comparando com os filmes "hollywoodianos", que estão em cartaz,como "Gamer" (um lixo só para constar), vale a pena ver Salve Geral. E o Lula vem ai no que vem!

Michel disse...

Realmente, o filme é bem produzido, tem boas sequências. A atriz que interpreta a Ruiva é excelente. No entanto, o filme não "entrega" o que propõe seu cartaz - o dia que São Paulo parou.Eu,particularmente fui assistir com essa perspectiva.Pelo menos,o longa nos faz lembrar que o problema da segurança pública está longe de ser resolvido em São Paulo

Nádia Carla disse...

Acho que a maior fragilidade de "Salve Geral" foi não conseguir mostrar a mudança de valores da protagonista ao longo filme. Infelizmente a atuação da Andréa Beltrão e o próprio filme foram decepcionantes para uma tentativa de concorrer ao Oscar!

Johnny Nastri disse...

Eu gostei bastante do filme. Não é do tipo que faz você querer que ou o bandido ou a polícia se dê bem.

Isso acontece com filmes como Cidade de Deus e Tropa de Elite.