sábado, 10 de maio de 2008

Uma mídia cega e burra




Qual dos fatos abaixo mereceria um destaque maior na mídia?

1. A polêmica envolvendo o jogador Ronaldo Fenômeno e as três travestis;

2. A prisão preventiva do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusado de assassinar a pequena Isabella;

3. A absolvição do fazendeiro Vitalino Bastos de Moura, acusado de ser o mandante do assassinato da missionária Dorothy Stang.

A maioria dos meios de comunicação optou pelo sensacionalismo, destacando o primeiro fato. Um escândalo envolvendo um dos jogadores de futebol mais conhecidos do mundo garante assunto para muitos dias. A semana começou com uma entrevista exclusiva concedida à jornalista Patrícia Poeta em que Ronaldo jurou ser um homem de bem. A orientação sexual do Fenômeno passou a ser tema em mesas-redondas, humorísticos e programas de fofocas. As travestis acabaram prestando um novo depoimento, inocentando o jogador que parece contar com a simpatia de boa parte da mídia brasileira. Apesar da curiosidade que provoca, essa polêmica, em termos de interesse público, é absolutamente insignificante.

Já o segundo fato, é na verdade mais um capítulo de um caso que está sendo tratado como uma novela pela mídia brasileira. Diariamente, o assunto é atualizado com a divulgação de "novos" detalhes do inquérito. Na última quarta-feira, a saída do casal do prédio da família Jatobá interrompeu a transmissão do jogo do São Paulo pela Taça Libertadores na Rede Globo. Aliás, foi no momento da interrupção que saiu o gol são-paulino. A cansativa e exagerada cobertura desse crime informa até o que o casal come na prisão, como se esse tipo de informação fosse mudar o rumo das investigações.

E como a mídia reagiu ao terceiro fato? Ela simplesmente noticiou. O fazendeiro tinha sido condenado no primeiro julgamento a 30 anos. Como sua pena foi superior a 20 anos, foi julgado novamente, mas dessa vez o assassino da missionária assumiu sozinho a autoria do crime, levantando muitas suspeitas. No final, Vitalmiro foi absolvido por 5 votos a 2. Essa reviravolta mancha profundamente a imagem internacional da justiça brasileira, reforçando a idéia de país da impunidade. Mas a imprensa em geral não entendeu a gravidade. No dia seguinte, o caso Dorothy era apenas mais uma triste recordação, lembrada somente em datas especiais.

Esse comportamento da mídia diante desses três fatos demonstra que ela segue uma lógica de espetáculo em que prevalece sempre o fato com maior potencial de audiência e retorno comercial. Assim, o sentimento de indignação coletiva da sociedade brasileira, ora é inflamado, ora é canalizado, numa postura maniqueísta dos meios de comunicação.

3 comentários:

Arismar disse...

Ás vezes fico me perguntando como podem tantas coberturas cansativas da mídia serem potencial de audiência em nosso país... É tanta insistência, manipulação da opinião pública. O pior de tdo, é q além de ouvir esse tipo de noticiário na tv, a gente tem de escutar isso tb no trabalho e em vários outros círculos sociais d q fazemos parte. O q realmente merece destaque fica esquecido.

Nádia Carla disse...

O texto está simplesmente perfeito e completo!!!
Faço minhas as suas palavras e indignação!

wellington_dourado disse...

Pois é o crime da Irmã Doraty foi tão cruel qto ao da Isabella, mas aconteceu as mais de três anos, portanto ñ caber a mídia focar suas atenções p/ essa notícia. Já o caso da Isabella e do Ronaldinho são atuais...Porém daki alguns meses ninguém mais vai lembrar do caso do Ronaldinho e nem se importar com a prisão do casal.É lamentável mas é exatamento isto q acontece no Brasil.