sábado, 20 de dezembro de 2008

Barrigas do ano

No jargão jornalístico, "barriga" significa a publicação de uma notícia falsa ou imprecisa. Ao longo de 2008, a mídia brasileira cometeu alguns erros memoráveis nesse quesito. Veja alguns:

Febre amarela
Durante a cobertura sobre a epidemia de febre amarela no começo do ano, a imprensa supervalorizou dados da doença e incentivou a vacinação de toda população, contrariando especialistas que recomendavam o procedimento somente para pessoas que viajassem para áreas de risco. A desinformação causou filas enormes nos postos de saúde. O episódio ainda teve uma vítima fatal, uma mulher que morreu após ser vacinada desnecessariamente.

Caso Eloá
Alguns veículos de comunicação divulgaram precipitadamente a morte da garota Eloá que foi mantida em cativeiro por seu ex-namorado na cidade de Santo André (SP). A adolescente só viria a morrer horas depois da divulgação. Além disso, a mídia num primeiro momento "comprou" a versão oficial da polícia de que a invasão ao apartamento só ocorreu após disparos de Lindemberg, idéia negada por Nayara que também ficou na mira do criminoso durante o sequestro.

Crise econômica
A imprensa brasileira divulgou que 2008 seria marcado como o ano da "lembrancinha" como efeito da crise econômica global. Pessimistas, jornais chegaram a falar em recessão, pátios lotados e demissão em massa. No entanto, os números surpreenderam, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 6,8% no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, além disso, as vendas no comércio batem recordes, frustrando muitos analistas que apostavam na inibição do consumo.
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O fetiche da velocidade, o sensacionalismo ou até mesmo os interesses políticos e empresariais de alguns veículos de comunicação ajudam a explicar essas e outras barrigas da mídia brasileira.
A sociedade espera que os profissionais da comunicação tenham maior rigor na divulgação de uma notícia, na análise de um cenário e nas especulações quanto ao futuro. Como formadores de opinião, os jornalistas precisam fazer uma autocrítica, avaliando o efeito daquilo que publicam na vida das pessoas. Que 2009 seja um ano menos "barrigudo" em relação ao trabalho da imprensa.

3 comentários:

Cassavetes disse...

Outro grande problema da imprensa é a repetição de assuntos sem contribuir em nada com eles, como é o caso deste artigo. A discussão é pertinente, mas, infelizmente, não há informação. Qual o objetivo deste veículo?

Michel disse...

Acredito que o trabalho da imprensa é uma tema que vale a pena ser discutido, mesmo que já tenha sido explorado em outras oportunidades. Cassavetes, obrigado pelo comentário.

Michel

Barbara disse...

Você abordou um assunto importantíssimo em relação as grandes gafes da imprensa. o ítem febre amarela, é uma prova de que as pessoas devem pesquisar várias fontes para não cair em ciladas como esta. Parabéns Michel, existem muitos leigos que precisam de informações como esta! estou adorando suas colunas. Um forte abraço.