quarta-feira, 14 de abril de 2010

Os dilemas de uma geração ou de toda a humanidade?

Complexo e surpreendente, Os Famosos e Os Duendes da Morte, de Esmir Filho, foge do convencionalismo e escreve uma nova página no cinema brasileiro. O diretor dialoga com outras linguagens e discute questões próprias da pós-modernidade, como realidade virtual, identidade e melancolia. O longa retrata a vida de um adolescente entediado com seu cotidiano que mergulha num mundo povoado por lembranças de outra dimensão.

A história se passa numa cidade do interior gaúcho, de colonização alemã, em que o tempo parece que parou. O ambiente bucólico cria uma atmosfera de mistério. A vida pacata é abalada por uma série de suicídios que ocorre na ponte do lugarejo. A morte de uma garota (Tuane Eggers) mexe especialmente com um rapaz (Henrique Larré), conhecido como Mr. Tambourine Man na internet. Ele dedica a maior parte do seu tempo a cultuar as fotos e os vídeos da jovem por quem nutre uma verdadeira fixação.

Fã de Bob Dylan, o garoto não curte a cidade onde mora, ao contrário, acha os moradores um bando de colonos. A vida virtual é a única que lhe motiva. É na tela do computador que ele demonstra o que sente de fato. Como muitos adolescentes, mantém uma relação fria e conflituosa com a mãe (Áurea Baptista). O mundo ao seu redor é de um vazio angustiante, quebrado apenas pelas conversas com Diego (Samuel Reginatto), seu melhor amigo e irmão de sua musa.

O longa de Esmir Filho aposta numa narrativa arrastada, que valoriza cada passo, cada silêncio. As cenas dos vídeos são um pouco cansativas, mas belas. Trata-se de um filme diferente, nada linear, que apresenta um desfecho em aberto. Muitos podem considerar Os Famosos e Os Duendes da Morte depressivo demais, outros confuso, mas ninguém consegue ficar indiferente, é do tipo ame ou odeie. Outro destaque é a trilha sonora, que ajuda a criar toda mística do longa.

Os Famosos e Os Duendes da Morte é baseado no livro homônimo de Ismael Caneppele (que atua no filme como uma figura enigmática). Apesar do título não empolgar, o longa levou o prêmio de melhor filme de ficção no Festival do Rio do ano passado. Esmir Filho se credencia como um dos grandes nomes dessa nova safra de cineastas, que inclui Matheus Souza, do hilário Apenas o Fim. Parece que o cinema brasileiro está rejuvenescendo, isso é uma boa notícia para quem não aguenta mais ver sertão, favela e violência na telona.

Vejam o trailer

4 comentários:

Balaio Furado disse...

O cinema nacional crsce...qnd a gnt deixar de copiar os "gringo" e começa a contar as histórias do nosso jeito...é tudo mais simples...é tudo mais belo.

Lobinho disse...

Triste, é que não está em cartaz em nenhum cinema da Baixada...

Michel Carvalho disse...

Caro Lobinho,

É realmente lamentável um filme como Os Famosos não ser exibido por aqui. As salas de cinema da Baixada só exibem filmes comerciais, até o Espaço Unibanco. Quem sabe um dia não chega no CinePosto 4. Tomara pq o filme vale à pena.

Abs,

Michel

Matti disse...

Parece muito interessante o filme e dá orgulho ver o cinema nacional crescendo sem ter que ser uma cópia tupiniquim de Hollywood!

As pessoas só estão acostumadas com sangue e sexo em filmes, que quando vêem um sem esses elementos, consideram ruins. O cinema nacional é excelente, mas falta somente perdermos a síndrome de hollywood