quarta-feira, 2 de junho de 2010

Um público a ser conquistado

Recentemente, foi aprovado na Comissão de Educação do Senado, o projeto PLS 185/08 que obriga a exibição mensal de filmes nacionais, por pelo menos duas horas, em escolas públicas e privadas. A medida, que deveria ser vista como uma ação de valorização da cultura brasileira, foi acusada de autoritária e ufanista nas redes sociais. Alguns acreditam que essa obrigatoriedade remete aos tempos da ditadura em que os estudantes tinham aulas de OSPB (Organização Social e Política Brasileira).

O projeto, de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), quer que a produção cinematográfica nacional faça parte do currículo complementar das escolas. A iniciativa também vê o cinema como um importante recurso de aprendizagem em sala de aula. Sem dúvida, os educadores terão que criar um projeto pedagógico específico que contemple essas duas dimensões - filme como conteúdo e filme como instrumento.

Além dessa importante questão didática, o projeto ambiciona a formação de um novo público para o cinema nacional, que hoje depende de financiamento público. O que se vê nas salas de exibição são crianças e adolescentes que adoram os blockbusters hollywoodianos, mas que ignoram os longas produzidos no país. Se desde cedo, o interesse pelos filmes brasileiros for estimulado, as chances de novos admiradores serão maiores.

Quando os estudantes começarem a conhecer mais as obras do cinema nacional terão a oportunidade de desmistificar velhos preconceitos. A ideia de que filme brasileiro só retrata pobreza, sertão, violência e sexo é generalizada. Em parte, esse estereótipo é reforçado pelos próprios professores ou pais de alunos, que ainda associam nossa produção a títulos de mau gosto, como os da pornochanchada. Para quebrar esse paradigma, é importante a exibição desde clássicos até os últimos lançamentos.

O fato de o projeto obrigar a exibição de títulos nacionais causou muitas críticas no orkut e no twitter, até por parte de educadores. Alguns consideram que uma atividade imposta, em vez de aproximar os estudantes dos filmes brasileiros, pode ampliar a rejeição. Por isso, antes da implantação da medida é necessário que os professores sejam qualificados para que possam estimular o gosto pela sétima arte nos alunos. Não pode ser na base do castigo, tipo “não assistiu, nota zero”. Acima de tudo, deve ser uma experiência prazerosa.

Antes da sanção presidencial, o projeto precisa ser apreciado na Câmara dos Deputados. Agora é torcer por sua aprovação. Longe da unanimidade, a iniciativa ajuda a promover a cultura brasileira, principalmente na rede pública de ensino. A exibição de filmes nacionais nas escolas também fortalece a produção cinematográfica do país. Com novos fãs, os filmes passarão a ser valorizados e, quem sabe, conseguirão encher as salas de exibição no futuro, mesmo disputando com Avatar e cia.

5 comentários:

Babi disse...

Aleluia!!! O governo está tentando investir no cimena nacional!!!. Engordamos o bolso dos E.U.A.
E as nossam produções que aos poucos estão conseguindo um lugar de destaque, tem pouco prestígio do público brasileiro. E quanto a educação, será uma ferrramenta muito importante p/ os professores, pois os filmes abordam pontos históricos, atualidades que também podem ser mescladas com cultura de outros povos. Se isso acontecer, o público brasileiro irá ter outra visão dos filmes nacionais. E consequentemente ganharemos prestígio mundial.

J P F O X disse...

Virou mania nos tempos de hoje remeter uma simples ação de valorização de nossa cultura à atitudes ditatoriais. Não tem nada disso. Acho que estes críticos querem mais e mais que nossas crianças consumam cultura norte-americana que tem um estilo de vida totalmente diferente do nosso.
Abraços...

libercultlitter disse...

Muitos professores já usam este material em sala de aula. Entretanto é bastante fragmentado já que não há uma política no sentido de dar estrutura para se trabalhar com filmes (sejam nacionais ou estrangeiros)
Não falo de equipamentos e arquitetura escolar para isso. Falo de uma reestruturação do método de educação que é aplicado nas escolas (públicas ou privadas)
Há um defasamento entre a capacidade de apreenção do aluno contemporâneo (que é uma pessoa antes de ser aluno) e a metodologia aplicada.
Para eficácia de uma medida como essa haveria necessidade de repensar a educação como um todo. Desde a arquitetura dos prédios escolares passando pelo papel e pela referencia do educador dentro da escola, da comunidade e mesmo dentro das famílias.
Sem isso tudo torna-se paliativo - mote de campanha Forma de "mostrar serviço".
Não é uma discussão séria.

Michel Carvalho disse...

Creio que o projeto é importante, mas concordo que antes de qualquer coisa, é preciso que as escolas e os professores estejam preparados para exibição mensal dos filmes.

A valorização de nossa cultura passa pelo acesso a títulos de nosso cinema, que dizem respeito ao nosso povo e nossas histórias.

Continuem prestigiando o Mídia Cidadã

Um grande abraço

Ygor disse...

Apoio a iniciativa com a ressalva q a frequencia seja flexibilizada pq um filme de 2h por mês é demais.
Na minha opinião, 1 por bimestre estaria de bom tamanho.
Seria legal que o professor trabalhasse o tema do filme, contextualizando os alunos e aproveitando pra inserir conteúdo curricular num debate sobre o filme, mas nada muito pesado, que valha nota e reprove etc.