quinta-feira, 6 de março de 2008

Sobra espetáculo, falta informação...


O âncora do Brasil Urgente (Band), José Luiz Datena, afirmou em recente entrevista que está cansado de fazer jornalismo policialesco na TV. Porém, na contramão, estreou no último dia 3, o novo Aqui Agora (SBT). O telejornal fez muito sucesso na década de 90 com uma cobertura frenética das operações policiais, chegando a mostrar até um suícidio ao vivo.

Programas desse gênero tomavam conta dos finais de tarde da televisão brasileira há alguns anos atrás. Cidade Alerta (Rede Record) e Repórter Cidadão (Rede TV) travavam com Datena uma verdadeira guerra pela audiência.

Hoje, a Record vem apostando em telejornais mais populares, mas que em alguns momentos, lembram bastante os de caráter policial. Não é mera coincidência o fato de os apresentadores do programas SP no Ar e o Balanço Geral serem do mesmo perfil do Datena. Ambos gritam muito ao vivo.

Mas a fórmula parece que está se desgastando. O público não quer ver o caos urbano espetacularizado na TV. Em entrevista à jornalista Laura Mattos, o professor e pesquisador de propaganda e mídia da USP, Arlindo Figueira, comenta que há cada vez menos anunciantes dispostos a associar seus produtos a programas desse formato. Segundo ele, o clima de insegurança que eles geram não é favorável à mensagens publicitárias.

Mas, afinal, esse tipo de jornalismo é um mal necessário? Penso que não. A informação veiculada precisa ter sua função cidadã. Por isso, imagino que glamourizar a ação policial, destacando prisões e apreensões, não ajuda a sociedade a combater a violência.

6 comentários:

Nádia Carla disse...

Concordo plenamente com o texto e acrescento que parece que os apresentadores são escolhidos pela chatice e o tom de voz, sempre alto!!

SALVADOR FAHELLER disse...

NÃO ACREDITO QUE ESTE TIPO DE PROGRAMA TRAGA ALGO DE VALOR AO DESENVOLVIMENTO DO CIDADÃO E CONSEQUENTEMENTE, AO PAÍS. PENSO QUE A INFORMAÇÃO, QUE É NECESSARIA, PASSA A SER UMA "CENA" ISOLADA EM UM CONTEXTO MAIOR.

Michel disse...

Hoje existe o chamado "shownarlismo" em que o espetáculo se sobrepõe à informação. Isso ficou evidente no caso do avião da TAM. Naquele momento, o que interessava era criar um estado emocional coletivo que garantiria muitos pontos de audiência. É lamentável!!!

Anônimo disse...

Fica difícil dizer o que é pior , se o Chatena ou o tipo de programa que eu prefiro chamar de tele-sadomasoquismno, o camarada assiste e se diverte com a desgraça alheia, enquanto um cínico insuportavelmente chato grita e esbraveja contra todo mundo: polícia, governo, bandidos, judiciário, legisladores. Mau gosto é pouco!

Anônimo disse...

É uma "fábrica de loucos". Pessoas que apresentam este tipo de programa precisam é de psiquiatra. Nem perco meu precioso tempo vendo isso. Pena que não se tem muita opção no horário.

Murilo Netto disse...

Ótima conclusão, Michel.
Concordo com você!
Um abraço!