sábado, 10 de janeiro de 2009

Receitas que vendem revistas

Promessas de corpo sarado e dietas milagrosas alavancam as vendas de revistas semanais e segmentadas no Brasil. O mercado editorial percebeu esse comportamento do leitor e começou a investir, cada vez mais, em matérias relacionadas à saúde, bem-estar e beleza.

No entanto, saúde é um tema que requer rigor e fontes especializadas. Divulgar pesquisas sem resultados comprovados é cometer estelionato com o leitor. Antes da publicação de matérias desse tipo, deve-se atentar para as seguintes questões: As informações são precisas? Quais instituições atestam a validade desses estudos? Os procedimentos possuem contra-indicações?

Essas publicações apostam em títulos persuasivos para atrair o público, utilizando geralmente adjetivos ("ideal" como na Isto É) ou imperativos ("derreta" como na Mens Health). Além desse artifício, as capas dessas revistas são estampadas por modelos e celebridades que simbolizam padrões de boa forma na sociedade contemporânea.

A medicina explica que não existe fórmula mágica para alcançar o corpo perfeito. Por isso, os leitores devem desconfiar de publicações que divulgam dietas e exercícios infalíveis. A orientação médica ainda é o melhor remédio para quem deseja uma vida saudável de verdade.

2 comentários:

Bc Guedes disse...

O problema é sério e desperta a pergunta: quem nasceu primeiro, a ganância das corporações que estão por trás dessas publicidades disfarçadas de jornalismo ou a ganância dos empresários da mídia? Para eles, a veracidade da informação é o que menos importa. O discurso é vazio, ou mentiroso, mas o que importa é a essência desse discurso na capa da revista. Valendo-se de uma legião de leitores cujas mentes estão impregnadas por uma ideologia de culto ao corpo e ao consumo, essa grande mídia explora as motivações mais materialistas. E só querem lucrar. A contracorrente se faz necessária.
Grande abraço e parabéns pelo blog.

Michel disse...

Infelizmente, matérias encomendadas é uma prática cada vez mais recorrente em nosso jornalismo. Quem sai perdendo é o leitor que acaba consumindo uma informação viciada. Bruno, parabéns pela análise.