domingo, 17 de abril de 2011

Na periferia de Bróder, o que reina é o afeto

O que esperar de um filme rodado no Capão Redondo, em plena periferia de São Paulo? Tiros, drogas e violência? Bróder, do estreante Jeferson De, não esconde a realidade das “quebradas”, mas foge do senso comum ao contar uma história comovente de amizade em que a criminalidade é apenas pano de fundo. O que chama a atenção realmente é o afeto que move cada personagem.

Três amigos de infância. Jaiminho (Jonathan Haagensen), jogador de futebol que vive a expectativa de ser convocado para seleção brasileira; Pibe (Silvio Guindane), pai de família, simples, honesto e trabalhador e, Macu (Caio Blat), desempregado que acaba entrando no mundo crime, ele é o único que ainda mora no Capão. O reencontro dos jovens vai colocar a amizade à prova, juntos, terão que superar desavenças do passado e um inesperado dilema, que vai mexer para sempre com a vida deles.

Quem espera um Cidade de Deus paulistano vai se decepcionar. Em vez da pirotecnia do filme de Fernando Meirelles, Bróder investe em sequências longas, cenas casuais e um clima intimista. Tudo isso ajuda a criar um ambiente familiar. Outros detalhes presentes no longa que retratam bem a periferia brasileira é a religiosidade e a celebração em volta da mesa.

Mas o grande destaque da película de Jeferson De é o elenco. Além da grande atuação dos três amigos, o núcleo familiar de Macu, formado por Airton Graça, Cássia Kiss e Cíntia Rosa, está excelente. Por falar nisso, algumas cenas são tão tocantes e verdadeiras, que é difícil não se emocionar.

Quem conhece Jeferson De e sua militância na defesa de uma legítima cultura negra, talvez imaginasse um filme mais engajado, como Faça a Coisa Certa de Spike Lee. No entanto, o diretor adota um tom sutil para fazer sua crítica social. A cena da batida policial é simbólica nesse sentido. Até o fato de escalar um ator branco para o papel de protagonista surpreende num primeiro momento, mas ao assistir Bróder, todos concordarão com a escolha de Caio Blat. Ele está perfeito como o jovem "negro" de pele branca.

Porém, é inegável que Jeferson De teve que fazer algumas concessões para ter como parceiras, a Globo Filmes e a Columbia Pictures. Para se ter uma ideia, o lançamento do longa já foi adiado várias vezes. Além disso, os palpites de Daniel Filho, co-produtor do filme, também podem ser observados. Ironicamente, Bróder tem o respaldo da poderosa Globo, ao mesmo tempo em que conta com a trilha sonora de Mano Brown e a consultoria de Ferréz, ícone da cultura marginal.

Sucesso de crítica, Bróder foi premiado nos festivais de Paulínia e Gramado, sendo que neste levou o kikito de melhor filme, trilha sonora e montagem, além de direção para Jeferson De e melhor ator para Caio Blat. O longa também teve a honra de ser exibido no Festival de Berlim do ano passado. Agora, o desafio é convencer o público de que não se trata de mais um título do gênero favela movie. Quem assistir, terá a certeza disso e se comoverá com um história arrebatadora.

Estreia: 21 de Abril nos cinemas




7 comentários:

Alex Renan disse...

parece ser um bom filme, vamos ver née

tamo seguindo ;D

http://emmeusonho.blogspot.com/

folhetimdefilippe disse...

Filmes que citam periferia sempre falam de guerra, morte, sangue, sexo... algum dia tinha que sair um filme que não falasse só sobre isso.

Vlw pela presença no blog :)

www.folhetimdefilippe.wordpress.com

Kely Magalhães disse...

Amo Caio Blat e aos poucos estou começando a amar o cinema brasileiro. ♥.♥

Se quiser me visite.

http://anjosceticos.blogspot.com/

Drikasanttos disse...

Interessante viu, parece ser ótimo...seguindo já seu blog, adorei.

Retribui e comenta por favor *-* http://cantinhodrikasanttos.blogspot.com/

Luciano Castro disse...

oS filmes brasileiros estão cada vez melhores, e esse parece ser um desses muito bom!!!!

PapoBacana disse...

parece ser um bom filme, obrigada pela dica..

adorei seu post ..

volte sempre ao meu blog..

httP://papiando-adoidado.blogspot.com

Paulo Cheng disse...

Como a maioria dos últimos filmes nacionais tem sido bem legais, este parece seguir a linha de Cidade de Deus e afins, parece um bom roteiro. Vou procurar assistir.