terça-feira, 7 de setembro de 2010

Você já pensou em ser educomunicador?


Publicado originalmente no site MídiativaSantos

A centralidade da comunicação na vida das pessoas vem transformando vários setores da sociedade, particularmente a educação. Educar já não é mais exclusividade de pais e professores. Com as novas tecnologias, a informação circula rapidamente e o conhecimento é construído de forma horizontal. Ser mediador nessa nova conjuntura é uma das funções do educomunicador, uma carreira que está começando a ser descoberta no Brasil e no mundo. Para se ter uma ideia, a Universidade de São Paulo (USP), a partir de 2011, passa a oferecer 30 vagas para o curso de Licenciatura em Educomunicação.

Nos dias 23 e 24 de agosto, o Núcleo de Comunicação e Educação da USP promoveu o II Encontro Brasileiro de Educomunicação, com o tema Diálogo entre sociedade civil e universidade. No evento, pesquisadores, representantes do Poder Público e membros do terceiro setor trocaram experiências sobre diversas ações educomunciativas que estão sendo realizadas com êxito em todo o país. Além disso, os convidados discutiram sobre as várias possibilidades desse novo profissional no mercado de trabalho, que vai desde a gestão de projetos na área de mídia-educação até a consultoria na formação de educadores, passando pela atuação nas emissoras de TV e rádio.

A própria LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) sugere que o ensino regular se abra a novos campos do conhecimento, como a comunicação, trabalhando-os de forma transversal em sala de aula. Organizações internacionais como a UNESCO também incentivam projetos na área da educomunicação, conhecida nos EUA como media-literacy. O consultor da entidade, Guilherme Canela, considera muito importante esse novo campo por explorar as habilidades de saber acessar as mensagens, avaliar a qualidade da informação e produzir conteúdos usando as diferentes linguagens e plataformas.

Em muitos lugares do Brasil, a educomunicação já está sendo tratada como política pública. Na capital paulista, ela foi institucionalizada por meio de um projeto de lei que ampliou o programa Educom, criado em 2001. A medida pretende envolver as secretarias municipais, as unidades escolares, os profissionais do jornalismo e toda a comunidade. No norte paranaense, a cidade de Bandeirantes é referência ao adotar projetos de mídia-educação no cotidiano escolar e nas comunidades carentes. Lá, os alunos, entre outras atividades, aprendem técnicas de fotografia e de produção de vídeo.

Mas a educomunicação não se limita somente à educação formal nas salas de aula. Instituições do terceiro setor também estão se articulando em torno de projetos de comunicação educativa. A ONG Cala-Boca-Já-Morreu é pioneira em desenvolver oficinas de rádio, vídeo e jornal impresso para crianças e adolescentes. A Viração é outro exemplo na capacitação de jovens educomunicadores. A entidade atua em comunidades pobres e em parceria com escolas, estimulando o protagonismo infanto-juvenil e a formação de sujeitos autônomos. Essas iniciativas demonstram que a educomunicação também contribui para o exercício pleno da cidadania ao garantir o direito à liberdade de expressão.

Como cada vez mais a mídia faz parte do universo do ser humano, a educomunicação atende a uma demanda da contemporaneidade, suprindo a lacuna entre o saber formal e o midiático. Apesar de parecer algo muito complexo, o perfil do educomunicador é simplesmente o de um profissional crítico, aberto ao diálogo, capaz de criar ecossistemas comunicativos e que tenha grande sensibilidade social. Quantas pessoas possuem essas qualidades e não sabem que carreira seguir? O vestibular 2011 da FUVEST pode ser uma grande oportunidade. Para saber mais sobre o curso, acesse: http://www.cca.eca.usp.br/educom

4 comentários:

Natália disse...

Em relação a seu comentário em meu post, concordo. Acho que somos vítimas das nossas próprias péssimas escolhas. Espero ter interpretado certo.
Obg pela visita. =*

Insanium Delirium disse...

uma nova função interessante, espero que de certo essa idéia de educomunicador, mas desde que não cause conflitos com professores...
se quiser, acesse meu blog http://artegrotesca.blogspot.com

Seyal Layes disse...

Muito bom!
Popularização da comunicação. Espero que além de ensino de técnicas sejam desenvolvidos os sensos críticos e analíticos dessas pessoas.
REtribuindo seu comentário.
abraços.

VAI NA FE QUE DA! disse...

Muito legal o seu blog!
Gostei de idéia...
se quiser, visite meu blog
http://www.vainafequeda.blogspot.com/