sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Manifesto pela Mídia Livre

Pelo fortalecimento da mídia livre, por políticas públicas democráticas de comunicação e pela realização da Conferência Nacional de Comunicação.

O setor da comunicação no Brasil não reflete os avanços que ao longo dos últimos trinta anos a sociedade brasileira garantiu em outras áreas. Tal conjuntura é uma das responsáveis pelo não crescimento democrático do país, impedindo que se torne socialmente mais justo.

A democracia brasileira precisa de maior diversidade informativa e de amplo direito à comunicação. Para que isso se torne realidade, é necessário modificar a lógica que impera no setor e que privilegia os interesses dos grandes grupos econômicos.

Não é mais possível aceitar que os movimentos sociais, protagonistas de muitos dos nossos avanços democráticos, sejam sistematicamente criminalizados – sem defesa, espaço ou meios para responder –, pela quase totalidade dos grupos midiáticos comerciais. Não se pode mais aceitar que, numa sociedade que se almeja democrática, apenas as idéias e informações ligadas aos interesses políticos e econômicos de pequenos grupos tenham expressão pública. Tal cenário nega o direito de todas e todos a ter acesso ao contraditório, violando o direito à informação dos cidadãos.

Um Estado democrático deve assegurar que os mais distintos pontos de vista tenham expressão pública, situação tão distante da realidade em nosso país. No Brasil, menos de uma dezena de famílias controla a quase totalidade dos meios de comunicação, numa prática explícita de monopólios e oligopólios – que seguem sendo realidade, embora proibidos pela Constituição Federal.

Ainda segundo a Constituição, deve-se criar um amplo e diversificado sistema público de comunicação, produzido pelo público, para o público, com o público. Um sistema que ofereça à sociedade informação jornalística e programação cultural-educativa para além da lógica do mercado, sintonizadas às várias áreas do conhecimento e à valorização da produção regional e independente.

Por fim, um Estado democrático precisa defender a verdadeira liberdade de expressão e de acesso à informação, em toda sua dimensão política e pública. Um avanço que acontece, essencialmente, quando cidadãs e cidadãos, bem como os diversos grupos sociais, têm condições de expressar suas opiniões, reflexões e provocações de forma livre, e de alcançar, de modo equânime, toda a variedade de pontos de vista que compõe o universo ideológico de uma sociedade.

Clique aqui para conferir o manifesto na íntegra

Clique aqui para saber mais no blog Fórum Mídia Livre


* O Blog Mídia Cidadã apoia essa iniciativa e compartilha desse ideal.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O plim-plim e a cegonha

Publicado no Portal IG – 30 jan.2009

Novelas da Globo influenciam divórcios e natalidade no Brasil, diz estudo

SÃO PAULO - As novelas produzidas pela Rede Globo a partir do início da década de 1970 tiveram um papel decisivo na queda das taxas de natalidade e no aumento de divórcios no Brasil acontecidos nas últimas décadas. Esta é a conclusão de dois estudos realizados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O primeiro estudo, Novelas e Fertilidade: Evidências do Brasil, concluiu que as taxas de natalidade caíram mais nas áreas alcançadas pelo sinal da Globo. Nas regiões cobertas, a queda foi 0,6 ponto percentual maior do que nas áreas sem cobertura.

Segundo o texto, o impacto foi ainda maior entre mulheres de famílias mais pobres e no meio ou final da idade reprodutiva. "A exposição constante às famílias menores que aparecem na televisão pode ter criado uma preferência por ter menos filhos", explica o economista Anthony Chong, um dos autores do estudo.

A influência das novelas no número divórcios, tema do texto Televisão e Divórcio: Evidências de Novelas Brasileiras, é menor, mas ainda assim significativa. Nas áreas cobertas pela Globo, a quantidade de mulheres divorciadas entre 15 e 49 anos é entre 0,1 e 0,2 ponto percentual maior do que nas regiões sem cobertura.

Entre 1970 e 1999, período analisado pelos dois textos, a taxa de fertilidade no Brasil caiu mais de 60%, e os divórcios aumentaram mais de cinco vezes desde a década de 1980. Neste mesmo período, a quantidade de aparelhos de televisão no país aumentou dez vezes.

A explicação de Anthony Chong para o fenômeno é simples: em geral, as famílias mais felizes nas novelas são pequenas e ricas, e a infidelidade feminina também é comum. Mais uma vez, números: das protagonistas femininas das novelas, 62% não tinham filhos e 26% eram infiéis a seus parceiros.

Outra contatação comprovada cientificamente pelos estudos é que as novelas realmente influenciam a escolha dos nomes das crianças. A probabilidade de que os 20 nomes mais populares em uma determinada área incluíssem um ou mais nomes de personagens de uma novela exibida naquele ano foi de 33% se a região recebesse o sinal da Globo. Em regiões sem acesso à Globo, a probabilidade foi de apenas 8,5%.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Os eufemismos da mídia

A última edição da revista Língua Portuguesa (Editora Segmento) comenta sobre o uso cada vez mais recorrente do eufemismo - figura de linguagem que suaviza um raciocínio cruel, um sentimento desagradável ou um tabu. A mídia é o principal instrumento de difusão dos eufemismos na sociedade, principalmente quando reproduz a retórica de políticos, intelectuais e outras personalidades.

Quando um jornal utiliza o termo "ocupação" para se referir à invasão norte-americana ao Iraque, na verdade, se quer atenuar a realidade nua e crua da guerra. Um exemplo mais recente é como foi tratada a estatização de uma grande instituição financeira nos EUA. A imprensa preferiu falar que o governo Bush socorreu, salvou ou mesmo resgatou a empresa em crise. Veja mais alguns exemplos:

Mensalão Mineiro: Mensalão do PSDB;
Colaboradores: Empregados;
Defensivos agrícolas: Agrotóxicos;
Empurrão facial: Tapa na cara;
Baixas: Mortes;
Dano colateral: Vítimas civis;
Descontinuar o negócio: Ir à falência;
Ofensiva de Israel: Massacre de Israel;
Conflito: Guerra.

Dependendo de quem fala, os eufemismos são usados para enganar, dissimular e desviar a atenção do interlocutor. Assim, é preciso que o espectador/leitor tenha discernimento diante de discursos pensados estrategicamente para manipular a opinião pública.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Receitas que vendem revistas

Promessas de corpo sarado e dietas milagrosas alavancam as vendas de revistas semanais e segmentadas no Brasil. O mercado editorial percebeu esse comportamento do leitor e começou a investir, cada vez mais, em matérias relacionadas à saúde, bem-estar e beleza.

No entanto, saúde é um tema que requer rigor e fontes especializadas. Divulgar pesquisas sem resultados comprovados é cometer estelionato com o leitor. Antes da publicação de matérias desse tipo, deve-se atentar para as seguintes questões: As informações são precisas? Quais instituições atestam a validade desses estudos? Os procedimentos possuem contra-indicações?

Essas publicações apostam em títulos persuasivos para atrair o público, utilizando geralmente adjetivos ("ideal" como na Isto É) ou imperativos ("derreta" como na Mens Health). Além desse artifício, as capas dessas revistas são estampadas por modelos e celebridades que simbolizam padrões de boa forma na sociedade contemporânea.

A medicina explica que não existe fórmula mágica para alcançar o corpo perfeito. Por isso, os leitores devem desconfiar de publicações que divulgam dietas e exercícios infalíveis. A orientação médica ainda é o melhor remédio para quem deseja uma vida saudável de verdade.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Barbárie e Censura

Israel veta jornalistas e propaga sua versão sobre ação em Gaza

Publicado em 03 de jan. na Folha de S. Paulo

Enquanto Israel ignora a decisão de sua Suprema Corte, determinando o acesso de jornalistas à faixa de Gaza, os serviços de informação do país continuam sua estratégia de exploração de todos os tipos de mídia para apresentar argumentos favoráveis à ofensiva.

Apesar de ter aberto nesta sexta-feira (2) a passagem de Erez para a saída de donos de passaportes estrangeiros, os israelenses não autorizaram a entrada da imprensa. Na quarta-feira (31), ordem judicial determinou o ingresso de jornalistas à área atacada quando a fronteira com Israel, no norte da faixa de Gaza, abrisse por razões humanitárias.

"A passagem hoje [sexta-feira] estava sobrecarregada com a retirada emergencial das pessoas", justificou o porta-voz do Exército Peter Lerner. Ele acrescentou que o acesso pode ser permitido amanhã. Em contraste com a situação dos jornalistas barrados, as forças israelenses divulgaram imagens de caminhões carregados de mantimentos ingressando o território pelo sul da faixa de Gaza (por Kerem Shalom). É um dos mais de 20 vídeos publicados no canal que as Forças de Defesa abriram no Youtube na última segunda-feira.

"A blogosfera e as novas mídias são basicamente uma zona de guerra", disse a major Avital Leibovich, porta-voz do Exército, sobre o canal no Youtube (que chegou a tirar do ar imagens de bombardeios, posteriormente liberadas).

"Muitas vitórias nos conflitos modernos são mediadas pela mídia. Temos a internet e todas as formas de comunicação modernas, e os militares decidiram divulgar suas mensagens com tais ferramentas", disse Gideon Doron, ex-presidente da agência regulatória que monitorou a privatização dos serviços de rádio e TV em Israel.

A estratégia tem inclusive um órgão gerencial, o Diretório Nacional de Informações, criado há oito meses por recomendação de um escrutínio da guerra contra o Hizbollah, travada no Líbano em 2006.

"O aparato de hasbara [termo em hebraico que significa "explicação" e é usado também como sinônimo de propaganda] precisava de um órgão para coordenar suas agências e virou uma plataforma de cooperação de todas entidades que lidam com relações públicas", disse o chefe do diretório, Iarden Vatikai, ao jornal "Guardian".

Via diplomática - A investida passa também por canais diplomáticos. Nesta semana, a Embaixada de Israel em Brasília encaminhou fotos de alvos israelense visados pelos foguetes do Hamas e um vídeo no Youtube justificando os ataques a Gaza, entre outros e-mails diários.

O consulado israelense em Nova York conduziu uma "entrevista coletiva" por meio do Twitter, sistema de microblogs que permite a publicação de textos de até 140 caracteres. O esforço não é voltado só ao Ocidente. O jornal "Haaretz" registrou que a ação israelense visa também "conquistar" canais de TV árabes via satélite", ao noticiar o esforço do Exército e da chancelaria em destacar quadros fluentes em árabe para falar à Al Jazeera e a outras emissoras do mundo árabe.

Mas a investida midiática pode gerar efeito contrário, conforme o "Haaretz" mostrou nesta sexta-feira (2) a partir de um vídeo de um bombardeio. Autoridades alegaram que o caminhão atingido levava foguetes do Hamas, mas ONGs humanitárias disseram que eram tanques de oxigênio usados numa fundição.
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Porque a ONU é tão omissa no restabelecimento da paz na região da faixa de Gaza? Será que se Israel não fosse aliado dos EUA já não teria sofrido sanções internacionais?