quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Vem aí o Grito dos Excluídos 2009

O Grito dos Excluídos é uma manifestação popular carregada de simbolismo, é um espaço de animação e profecia, sempre aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos. O Grito dos Excluídos, como indica a própria expressão, constitui-se numa mobilização com três sentidos:


* Denunciar o modelo político e econômico que, ao mesmo tempo, concentra riqueza e renda e condena milhões de pessoas à exclusão social;

* Tornar público, nas ruas e praças, o rosto desfigurado dos grupos excluídos, vítimas do desemprego, da miséria e da fome;

* Propor caminhos alternativos ao modelo econômico neoliberal, de forma a desenvolver uma política de inclusão social, com a participação ampla de todos os cidadãos.


O Grito se define como um conjunto de manifestações realizadas no Dia da Pátria, 7 de setembro, tentando chamar à atenção da sociedade para as condições de crescente exclusão social na sociedade brasileira. Não é um movimento nem uma campanha, mas um espaço de participação livre e popular, em que os próprios excluídos, junto com os movimentos e entidades que os defendem, trazem à luz o protesto oculto nos esconderijos da sociedade e, ao mesmo tempo, o anseio por mudanças.


As atividades são as mais variadas: atos públicos, romarias, celebrações especiais, seminários e cursos de reflexão, blocos na rua, caminhadas, teatro, música, dança, feiras de economia solidária, acampamentos - e se estendem por todo o território nacional.


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quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Globo X Record: quem perde é o público

O Jornal da Record exibiu hoje (12) uma matéria contestando as acusações de que o bispo Edir Macedo e integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) estariam envolvidos em um esquema de lavagem de dinheiro. A denúncia feita pela Justiça de São Paulo conclui que a contribuição dada pelos fiéis era desviada para a compra de bens pessoais e de veículos de comunicação.

O caso foi amplamente divulgado ontem pela mídia, mas ganhou contornos de “megacobertura” no Jornal Nacional da Rede Globo que dedicou mais de dez minutos ao episódio. Além da denúncia da promotoria, o programa mostrou imagens de cultos em que pastores ensinam como cobrar o dízimo aos fiéis. A repercussão na imprensa internacional também foi abordada na matéria.

A reportagem do Jornal da Record defendeu a IURD, mostrando as obras sociais mantidas pela instituição religiosa. Além disso, a matéria faz duros ataques à concorrente, exibindo um histórico da Rede Globo em que a emissora é acusada de envolvimento com a ditadura militar e de manipulação nas eleições. A tese do canal de Edir Macedo é de que a rede carioca estaria perseguindo a Record por causa de seu crescimento na disputa pela audiência.

O mais grave de tudo isso é que as emissoras utilizam seus telejornais para se atacarem mutuamente numa postura que desrespeita o telespectador. A denúncia contra a IURD é real e tramita na Justiça. No entanto, é importante saber como a Rede Globo conseguiu ter acesso a informações tão sigilosas, outra questão é se o jornalismo da família Marinho procurou escutar a versão dos acusados.

Dessa guerra, a única certeza é que os meios de comunicação agem de acordo com seus interesses políticos e comerciais. Por isso, não podemos perder a oportunidade de discutir a mídia que temos e a que desejamos, é preciso lutar pela realização da I Conferência Nacional da Comunicação em nome da democratização da informação e pelo fim do monopólio midiático, seja global ou universal.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Desventuras, crimes e afeto

Direto de Fortaleza

A ética de cada indivíduo é determinada pelas condições do dia a dia? O longa Se nada mais der certo, do diretor José Eduardo Belmonte (A Concepção) mostra que um sujeito em crise pode acabar entrando numa vida criminosa sem perceber, principalmente quando encontra pessoas que compartilham desse mesmo sentimento de decadência. Frenético e com lacunas, o filme aposta numa história violenta e humana simultaneamente.

Léo (Cauã Reymond) é um jornalista desempregado, endividado e que vive com a viciada Angela (Luiza Mariane) e seu filho. Numa noite à procura da companheira, Léo conhece Marcin (Caroline Abras), uma garota que se comporta como um pivete, frequentador de “bocas” e zonas. Ela o apresenta a Wilson (João Miguel), um taxista que não consegue dinheiro para bancar seu táxi. Os três se unem para aplicar golpes. Dessa aproximação surge, então, uma forte relação de carinho e cumplicidade. Sem limites, o grupo acaba se envolvendo com pessoas muito perigosas.

Quanto às interpretações, destaques para Carolina Abras que consegue dá vida a um personagem ambíguo, ora frágil, ora sagaz e João Miguel, um sujeito deprimido a ponto de explodir a qualquer momento. Outra atuação marcante é do ator Milhem Cortaz que vive um travesti “barra pesada”, rendendo um dos momentos mais engraçados do filme. Já Cauã se esforça, mas não convence como um jornalista em derrocada, falta melancolia e alguns anos a mais.

Com estreia prevista para o próximo dia 14, Se nada mais der certo é dividido em atos, porém, esse artifício não impede alguns buracos que dificultam o entendimento da história. Parece que tudo acontece de maneira inusitada. Belmonte comentou na apresentação do filme no 19º Cine Ceará que o longa trata fundamentalmente de relações humanas, negando o rótulo de violento, mas é difícil dissociá-lo dessa imagem numa trama repleta de tiros, drogas e prostituição.

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terça-feira, 21 de julho de 2009

Uma pedagogia diferente


O crítico de cinema David Gilmour estava em crise. Sem trabalho fixo, com dificuldades financeiras e o filho Jesse enfrentando problemas na escola. Com tempo de sobra, Gilmour propõe então algo inusitado – o garoto poderia parar de estudar, desde que assistisse semanalmente a três filmes selecionados previamente pelo pai. Juntos eles formam o clube do filme que mudaria suas vidas para sempre.

Os filmes suscitam longas conversas sobre futuro, amizade, mulheres, trabalho, além é claro, sobre a sétima arte. Durante as sessões, Gilmour e Jesse acabam estabelecendo uma grande relação de cumplicidade. O crítico sofre com os conflitos do jovem e tenta ajudá-lo contando sobre suas próprias frustrações. O clube do filme funciona não como dever de casa, mas como um momento único entre pai e filho.

Para os cinéfilos, O Clube do Filme é um excelente roteiro para locação. Pai e filho comentam desde clássicos como O Poderoso Chefão (1972) e A Felicidade não se compra (1946) até filmes considerados grandes fracassos como Showgirls (1995). A seleção dos longas variava entre tesouros enterrados e títulos em que o ator roubava a cena.

Numa passagem do livro, Gilmour comenta como a tarefa de indicar filmes é um negócio complexo (o que eu concordo plenamente). “De certa forma, é algo tão revelador quanto escrever uma carta para alguém. Mostra como você pensa, aquilo que o motiva, e algumas vezes pode mostrar como você acha que o mundo o enxerga”.


quarta-feira, 15 de julho de 2009

A era da inteligência coletiva

Os avanços tecnológicos estão transformando a sociedade, em especial o processo educacional. Atualmente, o professor não tem mais a exclusividade na transmissão do conhecimento. Com a internet, todo mundo ganhou voz e se sente um pouco educador, capaz de compartilhar informações e reelaborar discursos.

Na era da cibercultura, a informação é horizontalizada entre as pessoas. Assim, há maiores possibilidades de desenvolver o que chamamos de inteligência coletiva, um saber construído de forma colaborativa, em que todos podem participam ativamente. Hoje, só fica na condição de espectador quem ainda não se apoderou das novas tecnologias.

Um exemplo dessa nova realidade são ferramentas wikis que permitem aos usuários tanto o acesso quanto a geração de informações e documentos. Não é necessário know-how para a edição de conteúdo. Cientistas, jornalistas e estudantes, todos podem contribuir com esse processo de construção. A enciclopédia virtual Wipédia é uma importante ferramenta de pesquisa cooperativa, apesar da falta de confiabilidade de alguns dados ali disponíveis.

A inteligência coletiva rompe com os padrões hierárquicos do pensamento intelectual. O cidadão pode construir seu entendimento a partir de debates na rede, sites especializados ou portais governamentais. Os entitulados formadores de opinião já não possuem a primazia da informação. Eles agora dividem espaço com novos protagonistas que exercem plenamente o direito à comunicação.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Por que participar da I Conferência Nacional de Comunicação?

Texto da Comissão Estadual Pró-Conferência na Bahia

Ei você aí! Aposto que você sabe o papel dos meios de comunicações no mundo atual. É só pensar na importância que os membros da sua família dão para assistir TV, ouvir rádio, navegar na internet, utilizar o celular ou ler livros, jornais e revistas. Pois é, boa parte das nossas relações sociais, educação, posições e gostos têm interferência da mídia. Mas no Brasil não habituamos a pensar a comunicação como direito de todos e todas. Vivemos numa terra”sem lei” na qual as decisões neste setor estão entregues basicamente aos políticos herdeiros dos coronéis e grandes empresários.

Alguns temas fundamentais

Pela primeira vez teremos um ambiente no qual os setores populares da sociedade podem participar na elaboração de políticas públicas de comunicações e a pretensão é tocar em temas espinhosos para os donos da mídia.

* Formação de Sistema Público de Comunicação com gestão participativa;
* Mecanismos de transparência e participação popular nas concessões de Rádio e TV;
* Controle social para os veículos que desrespeitam os direitos humanos;
* Combater a criminalização das rádios comunitárias e livres;
* Proteger a comunicação da interferência do poder político e religioso;
* Universalizar o acesso ao computador e banda larga na internet;
* Baratear as tarifas telefônicas, livros, jornais e revistas;
* Adequar a educação as novas tecnologias da comunicação e leitura crítica dos meios;
* Valorizar a diversidade étnico e racial nos meios de comunicação;
* Proteger e difundir a produção regional e independente;
* Liberdade e privacidade na internet associada ao compartilhamento de arquivos.

A trajetória da Conferência

A batalha pela I Conferência Nacional de Comunicação foi dura, o Ministro das Comunicações, Hélio Costa, se negava a convocar, ele é aliado histórico da Rede Globo e proprietário de rádio FM em Minas Gerais. A pressão social foi tanta que o presidente Lula passou por cima do Ministro e convocou a Conferência em pleno Fórum Social Mundial em Belém do Pará.

Para participar da Comissão Baixada Santista Pró-Conferência Nacional de Comunicação é só mandar e-mail para conferenciacombs@gmail.com. Mobilize seu grupo ou entidade para discutir sobre a mídia que temos e a que queremos.

Mais Informações: http://baixadasantista.proconferenciasp.org