domingo, 19 de junho de 2011
sábado, 11 de junho de 2011
A era dos dataholics
Vivemos num mundo intensivamente midiatizado em que jornal, rádio, TV e internet se retroalimentam. Parece que não conseguimos mais viver sem ter acesso às últimas novidades. E o mais intrigante é que, mesmo mais sintonizados, temos a sensação de estarmos desatualizados. Os fatos surgem, repercutem e são esquecidos numa velocidade cada vez mais rápida. Esse processo opressor é responsável pelo crescimento dos chamados dataholics, indivíduos viciados em notícias.
Graças à convergência midiática, TV, rádio e internet estão no celular, facilitando o acesso dos dataholics às informações mais recentes. Esse indivíduo passa o dia todo conectado, no trabalho, na faculdade, no metrô, enfim, em todo lugar. E quando chega em casa ainda liga a TV ou mesmo o computador para se atualizar antes de dormir, sendo que muitas das notícias são as mesmas que ele teve acesso durante o dia. A busca por novidades ocorre de modo frenético.
Segundo pesquisa da agência Giovanni+DraftFCB, divulgada ano passado, os dataholics são, em geral, os mais jovens. Conectados à internet, eles dominam as ferramentas de comunicação e estão sempre buscando mais novidades. Não se perdoam por não saber o que está acontecendo, não importando a relevância do fato.
A necessidade de estar atualizado é uma panacéia promovida pela própria mídia. Estar desinformado significa exclusão, como se o indivíduo estivesse fora do mesmo microcosmo dos altamente informados. No entanto, o que preocupa nos dataholics é o tempo que destinam para acompanhar as últimas notícias, os vídeos que “bombam” na internet ou os assuntos mais comentados no twitter.
Toda essa atualização não quer dizer mais conhecimento, pelo contrário, no afã de não perder nada, os dataholics não conseguem refletir a respeito do conteúdo que consomem. A informação é importante, mas devemos nos tornar seletivos nesse sentido. Seja material noticioso ou de entretenimento, nem tudo precisa ser acessado. Informação em excesso e sem criticidade não passa de saturação, sintoma típico da pós-modernidade e dos dataholics.
sábado, 4 de junho de 2011
Destinos cruzados
A vida é feita de encontros e desencontros. Previstos ou inusitados. O filme Não se pode viver sem amor, de Jorge Durán, se alimenta dessa máxima para contar uma história cheia de reviravoltas, melancolia e realismo fantástico. É dia 23 de dezembro, pessoas desconhecidas terão seus caminhos entrelaçados para sempre, como num conto de fadas.
Gabriel (Victor Navega Motta) e Roseli (Simone Spoladore) chegam ao Rio de Janeiro para encontrar o pai do menino, que os abandonou há algum tempo. Essa busca revelará que Gabriel é uma criança diferente, que parece antever os acontecimentos. O olhar perdido do garoto é como a janela da alma.
João (Cauã Reymond), advogado desempregado namora a misteriosa dançarina de boate, Gilda (Fabiula Nascimento). Os dois vivem uma relação conflituosa, em que a falta de perspectiva vai consumindo o amor do casal. Gilda sonha em mudar de vida e, por isso, exige que o namorado consiga dinheiro de qualquer modo. Desesperado, o jovem vai se envolver com algo perigoso que mudará a vida de todos.
Pedro (Ângelo Antônio), pesquisador universitário, não sabe se aceita a bolsa de estudos e viaja para o exterior ou fica com sua namorada. Ele ainda precisa cuidar de seu pai, um taxista que anda doente. Indeciso, o acadêmico esquecerá seus problemas quando seu destino cruzar com estranhos na antevéspera do Natal.
Os personagens de Não se pode viver sem amor estão à procura de respostas para as suas angústias. Os sentimentos estão à flor da pele. Todos querem encontrar essa tal felicidade. Eles terão que aprender a cultivar a esperança, mesmo diante dos problemas do cotidiano. E, juntos, precisam continuar acreditando que só o amor pode transformar a vida pra valer.
O elenco está afinado, com destaque para Simone Spoladore e o garoto Victor Navega Motta. Ângelo Antônio como sempre está muito bem. Alías, a cena do banho de chuva entre os três é uma boa amostra dessa sintonia. Cauã interpreta um personagem muito parecido ao que viveu em Se Nada Mais Der Certo (2008). Já está ficando marcado por este tipo de papel.
Dúran, que dirigiu Proibido Proibir (2007), aposta num drama onde tudo é possível, em que a realidade não aprisiona e a imaginação ganha asas. Até a cidade do Rio de Janeiro é mostrada sob um olhar bucólico. Não se pode viver sem amor é um filme para gente de mente aberta, que causa estranhamento para quem não embarcar na história.
domingo, 29 de maio de 2011
Qual é a 'melhor' imagem de Dilma retratada nas revistas brasileiras?
sábado, 21 de maio de 2011
Anti-Jornalismo: A notícia a serviço do Pastor
Uma verdadeira aula de mau jornalismo. Só assim podemos definir o noticiário da Rede Record sobre a distribuição de kits do programa Escola sem Homofobia. A emissora, cujo dono é o mandatário da Igreja Universal, ignorou qualquer princípio jornalístico ao adotar uma abordagem conservadora e manipuladora.
O material que foi criado, sob supervisão do MEC, por entidades que lutam contra a homofobia e trabalham com a temática da sexualidade está sendo intitulado pejorativamente de "kit-gay". Ao estigmatizá-lo dessa maneira, o jornalismo da Rede Record tenta reforçar a tese de que o material incentivaria a homossexualidade, como se a questão pudesse ser reduzida dessa maneira.
Outra distorção refere-se ao público-alvo, diferentemente do que foi veiculado, as cartilhas e os vídeos não seriam disponibilizados para menores de 14 anos. Além disso, as imagens não mostram cenas de sexo, no máximo, casais de mãos dadas. O tom adotado é de um sensacionalismo como poucas vezes se viu na TV brasileira. O objetivo é convencer o público sobre os “riscos” desse material didático.
Outra distorção refere-se ao público-alvo, diferentemente do que foi veiculado, as cartilhas e os vídeos não seriam disponibilizados para menores de 14 anos. Além disso, as imagens não mostram cenas de sexo, no máximo, casais de mãos dadas.
Mas o mais escandaloso é o uso do jornalismo de uma TV aberta para veicular uma posicionamento religioso e conservador. A matéria do Jornal Record (vídeo acima) abandona um princípio básico do jornalismo, que é escutar os dois lados de um determinado assunto. A matéria exibe vários depoimentos contrários ao kit, incluindo de parlamentares e de “especialistas”. O direcionamento é tão evidente que não é exibida nenhuma fala que defenda a iniciativa, como a Unesco e o Conselho Federal de Psicologia que aprovam o kit.
Esta semana um grupo de parlamentares da chamada bancada evangélica teve um encontro com o ministro da Educação, Fernando Haddad, para convencê-lo a desistir da distribuição do material. Pastores também estão se mobilizando contra o kit, seja em horários pagos nas TVs abertas ou mesmo em seus blogs, como Edir Macedo. Neste sábado (22 de maio), até uma marcha foi organizada contra o programa Escola sem Homofobia.
O kit deve ser questionado no que se refere a sua aplicabilidade. Afinal, esse material só pode ser trabalhado em sala de aula depois que os professores participarem de uma ampla formação. Além disso, seria ótimo também envolver os pais dos estudantes para que o combate à intolerância não ficasse somente a cargo da escola.
Com essa postura manipuladora, a Rede Record, a serviço da Igreja Universal, impede que um debate sério sobre a questão seja estabelecido. Quem mais perde é a sociedade brasileira, que acaba recebendo uma informação distorcida e tendenciosa. Em pleno século XXI, a educação e a luta contra o preconceito não podem ficar a cargo de um proselitismo religioso.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Informação ou propaganda disfarçada?
Engraçado como alguns dogmas do jornalismo que são ensinados nas escolas de jornalismo são totalmente abandonados pelos grandes veículos de comunicação. Uma exigência ética que deveria nortear o trabalho dos jornalistas é a clara distinção entre informação e publicidade. Numa reportagem como essa do Jornal da Globo, veiculada na semana passada, seria realmente necessária a menção das marcas dos estabelecimentos de fast food?
A matéria além de citar as marcas, ainda informa o valor dos produtos em promoção e de quanto foi a queda nos preços. Um telespectador mais distraído certamente imaginaria que se trata de fato de uma propaganda. Na verdade, é publicidade disfarçada de jornalismo, com a vantagem de que o discurso da imprensa possui a credibilidade que o publicitário não tem. A omissão dos nomes das marcas não causaria nenhum prejuízo ao fundamental da matéria que é a redução dos preços e o acirramento entre os concorrentes.
Esse tipo de tabelinha jornalismo-publicidade também é fartamente utilizado no jornalismo impresso. Um exemplo recorrente é a publicação das notas do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) em que há uma ampla divulgação das melhores escolas, com destaque para as particulares, em que o jornalista procura ressaltar o diferencial dessas unidades para obter um bom desempenho no exame. Em alguns casos, a cara de pau é tão gritante que a notícia está ao lado de um informe publicitário da própria escola mencionada no texto.
A divulgação de nomes de empresas ou produtos deve ocorrer somente em casos em que a menção é primordial para o entendimento da matéria, como a notícia de um acidente envolvendo uma companhia aérea ou o recall de um veículo. Parece que o jornalismo contemporâneo não tem essa preocupação ética em separar a redação do setor comercial. Quem sabe da próxima vez a matéria do Jornal da Globo também não divulga as formas de pagamento.
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