P.S: Percebam que as fotos sofreram manipulação para que os personagens ficassem mais sombrios e assustadores. Além disso, os títulos reforçam a conotação negativa das capas.
A polêmica entre a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e os jornais Folha de S. Paulo e O Globo está gerando um avalanche de ações na justiça. Na última edição do programa Domingo Espetacular, da Rede Record, foi veiculada uma matéria de quatorze minutos em que são mostrados fiéis que se sentiram ofendidos moralmente pelas reportagens feitas pelos jornais. A IURD contesta a reportagem da Folha “Universal chega aos 30 anos com império empresarial” publicada em de 15 de dezembro de 2007. Um dos trechos que mais revoltaram os líderes da igreja é o seguinte: “Uma hipótese é que os dízimos dos fiéis sejam esquentados em paraísos fiscais”. A jornalista poderia ter sido mais cuidadosa ao levantar essa possibilidade sem provas consistentes.
Os fiéis também se sentiram ofendidos pelo jornal carioca que utilizou termos pejorativos ao se referir à IURD. Em uma das matérias, o título era “Seita montou um império diversificado”. A reportagem levanta suspeitas sobre os negócios dos bispos da igreja.
O Domingo Espetacular ainda entrevistou juristas e especialistas em religião para confirmar o caráter preconceituoso das matérias dos jornais. O fato de a Rede Record pertencer ao bispo Edir Macedo da IURD é relevante quando se pensa em isenção jornalística. Na reportagem, ninguém contrário às ações dos fiéis foi ouvido. A opinião da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas) e de outras entidades deveriam constar na matéria.
A Folha respondeu às ações com o editorial "Intimidação e má-fé" na capa do dia 19. O ombudsman do jornal comentou em sua coluna diária que o veículo “reage a um modelo de ataque ao jornalismo que, se vingar, restringirá a liberdade de imprensa no país”. Nessa mesma edição, uma página foi dedicada à cobertura, com o título principal "Universal quer intimidar, dizem entidades".
Quem perde nesse embate entre os jornais e a igreja Universal é o cidadão que acaba recebendo uma informação contaminada e tendenciosa. Para se ter uma idéia da confusão, o jornal O Globo é da família Marinho que também é dona da emissora que a Rede Record do bispo Macedo tenta alcançar. Assim, qualquer matéria veiculada por esses veículos terá sua credibilidade questionada.
Michel Carvalho
Jornalista e Educador

Jornalismo febril
Mário Magalhães
"Se crianças começam a assuntar sobre a vacinação contra a febre amarela, é sinal de que o temor da doença -e da injeção- se disseminou.
Não é para menos: no princípio do ano, parcela expressiva do jornalismo sugeriu que o mal ameaça o país. A Folha não ficou de fora. Como se vê ao lado, do dia 8 até a quinta-feira passada o assunto ganhou espaço na primeira página, 14 presenças em 17 dias.
Há mesmo interesse público em saber que houve contaminação em áreas rurais. A morte em decorrência de picada de mosquito na floresta é tão trágica como a de alguém infectado nas cidades.
Acontece que desde 1942 não se conhece no Brasil transmissão de febre amarela em reduto urbano. A informação foi veiculada, mas o tom predominante, mostram os títulos da capa, foi o de escalada.
Sob uma manchete, o jornal relativizou a opinião do ministro da Saúde: "No dia em que o número de notificações de casos suspeitos de febre amarela no país subiu de 15 para 24, (...) José Gomes Temporão foi à TV fazer um pronunciamento (...) para dizer que não há risco de epidemia".
Não cabe ao jornalismo sabujar autoridades, mas não é seu papel alarmar. Quando consultou quem entende, a Folha prestou bons serviços.
Texto completo disponível em:
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=470VOZ001
Vinte e cinco por cento da população brasileira com maior renda familiar têm mais confiança na mídia (64%) do que em empresas (61%), ongs (51%), instituições religiosas (48%) ou até mesmo em seu próprio governo. Os dados fazem parte do Estudo Anual de Confiança da Edelman, empresa de relações públicas. Segundo o levantamento, o Brasil é o terceiro país onde a imprensa tem maior índice de credibilidade, ficando atrás apenas do México (66%) e da Índia (65%).
A pesquisa ouviu 3.100 entrevistados entre 35 e 64 anos, com formação superior e renda familiar entre as 25% maiores de seus países. Considerado um estudo entre líderes de opinião, por parte da consultoria, a pesquisa abrangeu 18 países, como China, Irlanda, Rússia, Estados Unidos, Índia, França, Espanha e Brasil (...)
Fonte: Comunique-se